Depois de tantas horas normais, e de muitos mais minutos sossegados, depois da minha serenidade e de toda a minha mudança… depois de todo o caminho percorrido espiritualmente e fisicamente, esperava mais e melhor...
O mundo não tem culpa de nós, que vivemos dentro dele, de nós que somos mesquinhos, e pouco sabedores da natureza, nos que nos protegemos debaixo de cada galho de árvore indefesa, nós que nos acolhemos na rocha indefesa e forte, o ser humano é uma desilusão por ser tão mesquinho.
Acho que toda a gente chega a pensar não uma vez na vida, mas várias vezes por ano, em desaparecer de todos os sitos possíveis, meter-se num sitio calmo e não materialista, envolver-se na flora, envolver-se no céu, e caminhar até ao paraíso, porque devo dizer que isto na terra não é agradável.
Olho à minha volta e não vejo felicidade verdadeira, olho e não vejo um beijo sentido, não vejo amizade, olho e não vejo nada… serei eu que estou a ficar cega? Serei eu demasiado injusta? Só que às vezes custa-me tanto que o dia passe, custa-me que o tempo passe, custa-me tanto ver a maldade, porque no fundo acredito que ela não existe… Custa-me estar aqui, sem saber bem a fazer o quê… no meio de objectos, no meio de regras, no meio de falsidades, no meio de uma sociedade louca e supérfula, injusta, malvada, com cultos, parvos e crenças patetas… Com pessoas ainda mais parvas a roubar o irmão, a invejar o vizinho… a impor, a exigir, a fazer de ti escravo e de mim servo.
Confesso que me sinto mal por estar no mesmo mundo que estas pessoas…
Confesso que para mim o mundo parece uma coisa redonda a quem ninguém da atenção… a mim o mundo lembra-me “eu” porque sofre, sofre e revolta-se sem ninguém nada fazer. Sem ninguém mudar…
Quanto tempo isto vai durar?
Quanto tempo mais vai o nosso mundo aguentar?
Quanto tempo mais vai o meu mundo aguentar?
Quando posso ir eu para ao pé de ti?
Quando posso eu, mover montanhas junto de ti?